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António Rosa Relvas, de 53 anos, empresário em Luanda, está revoltado com o governo angolano,
depois de a sua mulher, Filomena, ter sido notificada pelo Departamento de Fiscalização do Serviço de Migração e Estrangeiros para abandonar o país nos próximos dias. Em causa está um despacho desfavorável ao pedido de prorrogação do visto de trabalho.
“Já fui informado de que nos próximos dias será a família toda notificada, mas eu só saio daqui depois de morto”, afirma António Rosa, indignado com a situação, garantindo não deixar repetir o que se passou em 1974: “Fomos obrigados a sair e a deixar tudo para trás. Tenho aqui milhões de euros investidos e não posso deixar isto assim sem mais nem menos”.
A revolta do empresário português sobe de tom quando recorda a presença de José Sócrates em Angola, em Abril, para promover o investimento privado naquele país. “Não percebo como é que nos pedem para investir o dinheiro e depois correm connosco”, refere António Rosa, proprietário de uma empresa de transportes de mercadorias e passageiros. Em Angola desde 2001, este natural de Leiria não esconde a sua preocupação com a situação dos dois filhos menores: “Tenho uma bebé de seis meses, nascida em Luanda, e um rapaz, com 13 anos, que vai começar a escola em breve”.
Durante todo o processo de prorrogação do visto de trabalho, conta António Rosa, aconteceram peripécias inacreditáveis. “Chegaram a dizer-me que eu não estava a colaborar. Pediram-me seis mil euros para desbloquear a situação. Se não têm funcionários capazes, a culpa não é minha”, refere.
A situação é confirmada pela embaixada de Angola em Lisboa, que revela o actual processo de reforma do Serviço de Migração e Estrangeiros. “Existiram algumas situações de abuso de autoridade na atribuição dos vistos de trabalho. Sem ter conhecimento desse dossiê, suponho que se trata de uma dessas situações”, diz Ramiro Barreira, porta-voz da embaixada, aconselhando António Rosa a dirigir-se ao consulado português em Luanda para pedir apoio: “Se considera existirem irregularidades na não prorrogação do visto, deverá pedir aconselhamento jurídico ao cônsul português em Luanda.”
Contactado o consulado, o CM foi informado de que o caso de António Rosa não é único: “Temos conhecimento de algumas situações dessas, mas o nosso espaço de manobra é muito reduzido. Angola está a passar por um processo de profunda renovação do Serviço de Migração e Estrangeiros. Naturalmente, se os cidadãos portugueses vierem ter connosco para solicitar ajuda, nós tentaremos fazer o que está ao nosso alcance”.
PERFIL
António Rosa Relvas, natural de Leiria, decidiu arriscar a sorte e chegou a Luanda em 2001. Passado pouco mais de um ano, criou a sua própria empresa de transportes de passageiros e mercadorias que, actualmente, emprega mais de 60 trabalhadores.
Pai de três filhos – um deles também constituiu família em Luanda – António vê-se na situação de perder tudo o que construiu em Angola. A mulher, Filomena Rosa Relvas, de 38 anos, de Alcácer do Sal, sempre trabalhou nos serviços administrativos. É o primeiro elemento da família a ser notificado da expulsão.